Arquivos

a falta

Não conhecia a escrita do Ricardo Lísias, pra falar a verdade (momento vergonha), nunca tinha ouvido falar dele ou pelo menos não lembro. Então sai no Globo uma matéria sobre ele e o seu novo livro “O céu dos suicidas”, minha vontade era largar tudo e começar a ler na mesma hora.
Quase um mês depois ele fura a fila das próximas leituras, ganha um bom lugar na lista dos melhores de 2012 e também aquela vontade louca se ler tudo que ele escreveu ao mesmo tempo agora.
Ricardo, o personagem, narra a sua angustia e luta para superar a perda de um grande amigo que acabou de se suicidar, o André. O céu dos suicidas é uma ficção que se mistura com a vida do próprio autor, que em 2008 perdeu um amigo da mesma forma, quando viu estava escrevendo/pesquisando sobre o tema e transformou a dor em literatura, por sinal, uma das mais belas que já li.

Alguns trechos do livro:
“Desde que tudo isso começou, tenho percebido que sentir saudades significa, em alguma parcela, arrepender-se.”
“Tenho feito descobertas: quando a gente grita na rua, ninguém repara.”
“Comecei dizendo que não aguentava mais aquela loucura. Também o lembrei aos berros que não colecionava selos. Depois, falei que ele estava tentando chamar atenção. Por fim, disse que eu ira voltar na hora do almoço e que então queria achar meu apartamento em ordem. E tudo consertado. Ele apenas repetia que era meu amigo.”
“Sinto saudades de tudo e isso me irrita.”

O céu dos suicidas, editora Alfaguara, R$ 34,90.

20120531-020638.jpg

Anúncios

livros e filmes, janeiro 2012

Para ajudar minha memória resolvi criar um post fixo aqui, todo último dia do mês (este já está atrasado, rs) vou publicar o que vi e li ;)

Livros…

O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar

A Humilhação, de Philip Roth

Ho-ba-la-lá – A procura de João Gilberto, de Marc Fischer

Um Dia, de David Nicholls

Nietzsche para Estressados, de Allan Percy

Filmes…

O Pequeno Nicolau

Um Dia

O Idiota do Nosso Irmão

Pronta para Amar

Qualquer Gato Vira Lata

e se…

Vivemos num eterno “e se…”, já perdi a conta da quantidade de vezes que eu me arrependi de ter feito ou não ter feito algo diferente no passado e o meu presente seria diferente, ou fico pensando no “e se…” no presente e imaginando diferentes futuros.
Fazer escolhas é uma das coisas mais difíceis para mim, quer me ver maluca é ter que escolher entre dois caminhos.
Hoje, na Folha, Contardo Calligaris falou sobre essa coisa maluca que é tentar trazer o passado para o presente…

“Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las -e de vivê-las como pentimentos.
Avisos: os pentimentos não são necessariamente recíprocos, e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.”

amizade

Hoje fui almoçar com uma amiga de infância, comemorar seus 30 anos e um dia, não encontrava com ela há quase um ano e até nossas conversas por telefone, msn, gtalk diminuíram nos últimos meses. Não, não brigamos e se me lembro nossa amizade não teve aquelas brigas clássicas entre amigas, só um pouco de implicância na época do colégio (na adolescência) e olhe lá… nossa vida só tomou rumos diferentes ou melhor, tudo continua como sempre, em algumas horas colocamos o papo em dia e parece que acabei de passar o último final de semana com ela.
Quando cheguei em casa, fiquei pensando nas amizades que temos na vida, nos vários tipos: os amigos de colégio, da rua (isso pra quem nasceu nos anos 80), da igreja, da faculdade, do trabalho, das baladas, das alegrias e tristezas, das férias e carnavais, amor que virou amigo, amigos de amigos que se tornam nossos também… na vida os amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons, como canta os versos de Filtro Solar.
Me sinto sortuda pelas amizades que tenho, pelas que passaram –se foram embora não significa que não foram verdadeiras, até porque não lembro de ser ex-amiga de ninguém, só não convivemos mais–, e até pelos amigos que ainda vou conhecer.
Hoje foi aquele dia que vou lembrar pra sempre, um domingo simples, com um pouco de sol, churrasco, bolo e uma das melhores companhia, os amigos.