poesia

o que fica…

20120202-230620.jpg

Há alguns meses um cliente chegou na loja perguntando se tínhamos o livro de Wislawa Szymborska (nem imagino como pronuncia… alguém sabe?), procurei e descobri que a Companhia das Letras iria lançar o primeiro livro dela no final do ano.
Szymborska foi ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996, tem em média 250 poesias publicadas e eu nunca tinha escutado este nome complicado… só fui saber da sua existência depois da visita do meu cliente (vergonha ao cubo) e depois de ler algumas das 44 poesias do seu livro “poemas” não consigo entender o motivo da demora para ter um livro dela aqui no Brasil.
A poeta faleceu ontem, aos 88 anos, na sua casa em Cracóvia.

Um dos poemas do livro poemas:

Museu

Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas o amor recíproco se foi
há pelo menos trezentos anos.

Há um leque — onde os rubores?
Há espadas — onde a ira?
E o alaúde nem ressoa na hora sombria.

Por falta de eternidade
juntaram dez mil velharias.
Um bedel bolorento tira um doce cochilo,
o bigode pendido sobre a vitrine.

Metais, argila, pluma de pássaro
triunfam silenciosos no tempo.
Só dá risadinhas a presilha da jovem risonha do Egito.

A coroa sobreviveu à cabeça.
A mão perdeu para a luva.
A bota direita derrotou a perna.

Quanto a mim, vou vivendo, acreditem.
Minha competição com o vestido continua.
E que teimosia a dele!
E como ele adoraria sobreviver!

Anúncios