livro

a falta

Não conhecia a escrita do Ricardo Lísias, pra falar a verdade (momento vergonha), nunca tinha ouvido falar dele ou pelo menos não lembro. Então sai no Globo uma matéria sobre ele e o seu novo livro “O céu dos suicidas”, minha vontade era largar tudo e começar a ler na mesma hora.
Quase um mês depois ele fura a fila das próximas leituras, ganha um bom lugar na lista dos melhores de 2012 e também aquela vontade louca se ler tudo que ele escreveu ao mesmo tempo agora.
Ricardo, o personagem, narra a sua angustia e luta para superar a perda de um grande amigo que acabou de se suicidar, o André. O céu dos suicidas é uma ficção que se mistura com a vida do próprio autor, que em 2008 perdeu um amigo da mesma forma, quando viu estava escrevendo/pesquisando sobre o tema e transformou a dor em literatura, por sinal, uma das mais belas que já li.

Alguns trechos do livro:
“Desde que tudo isso começou, tenho percebido que sentir saudades significa, em alguma parcela, arrepender-se.”
“Tenho feito descobertas: quando a gente grita na rua, ninguém repara.”
“Comecei dizendo que não aguentava mais aquela loucura. Também o lembrei aos berros que não colecionava selos. Depois, falei que ele estava tentando chamar atenção. Por fim, disse que eu ira voltar na hora do almoço e que então queria achar meu apartamento em ordem. E tudo consertado. Ele apenas repetia que era meu amigo.”
“Sinto saudades de tudo e isso me irrita.”

O céu dos suicidas, editora Alfaguara, R$ 34,90.

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há 90 anos…

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“Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que o da Beleza. Os que imaginam o belo abstrato são sugestionados por convenções forjadoras de entidades e conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma noção exata e definitiva. Cada um que se interrogue a si mesmo e responda que é a beleza? Onde repousa o critério infalível do belo? A arte é independente deste preconceito. É outra maravilha que não é a beleza. É a realização da nossa integração no Cosmos pelas emoções derivadas dos nossos sentidos, vagos e indefiníveis sentimentos que nos vêm das formas, dos sons, das cores, dos tatos, dos sabores e nos levam à unidade suprema com o Todo Universal. Por ela sentimos o Universo, que a ciência decompõe e nos faz somente conhecer pelos seus fenômenos. Por que uma forma, uma linha, um som, uma cor nos comovem, nos exaltam e transportam ao universal? Eis o mistério da arte, insolúvel em todos os tempos, porque a arte é eterna e o homem é por excelência o animal artista.” Graça Aranha, no discurso de abertura da Semana de Arte Moderna

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“Que tal? Conseguimos enfim o que desejávamos: celebridade. Soube que o x.z. estava um pouco aterrorizado com os insultos que temos recebido. Consola-o tu. Realmente, amigo, outro meio não havia de conseguirmos a celebridade. Era só assim: aproveitando a cólera dos araras. Somos todos pseudofuturistas, uns casos teratológicos. Somos burríssimos. Idiotas. Ignorantíssimos. Compreendes que com todas essas qualidades só havia um meio de alcançar celebridade: lançar uma arte verdadeiramente incompreensível, fabricar o carnaval da “Semana de Arte Moderna” e… deixar que os araras falassem.
Caíram como araras. Gritaram. Insultaram-nos. Vaiaram-nos. MS o público já está acostumado com descomposturas: não leva a sério. O que fica é o nome e um sentimento de simpatia que não se apagam mais da memória do leitor.
Estamos célebres! Enfim! Nosso livros serão lidíssimos! Insultadíssimos, celeberrímos. Teremos nossos nomes eternizados nos jornais e na História da Arte Brasileira.
Agora calemo-nos, amigo Hélios. Não há mais necessidade de “escores”. Estamos célebres, amados e desterrados.
E tudo isso por quê? Porque os araras caíram na armadilha. Insultaram-nos. Somos bestas, doentes, idiotas, ignaros!
Tudo isso é verdade, amicíssimo. Mas como os jornais disseram e o público não acredita, toda a gente imagina que somos perfeitíssimos de corpo e de alma, inteligentes, honestos e eruditos.
Que araras, amigo Hélios, que araras!” Carta que Mário de Andrade enviou a Menotti del Picchia após a Semana 22, publicada no livro “1922 – A semana que não terminou“.

 

Harry Potter em HQ

Cada dia que passa gosto mais de quadrinhos, e hoje de link em link fui parar na página da ilustradora Lucy Knisley,  o trabalho dela é lindo, vale a pena passar alguns minutos conhecendo seus desenhos.

E para os fãs de Harry Potter, ela conseguiu contar (e muito bem) a história de cada livro em quadrinhos. Suas HQ me fez lembrar do livro 90 Livros Clássicos para Apressadinhos, do cartunista Henrik Lange, onde ele resumiu em quatro quadrinhos -na verdade três, o primeiro é do título- os maiores clássicos da literatura.

E para terminar uma ilustração de várias mulheres maravilhas… adorei!