literatura

o que fica…

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Há alguns meses um cliente chegou na loja perguntando se tínhamos o livro de Wislawa Szymborska (nem imagino como pronuncia… alguém sabe?), procurei e descobri que a Companhia das Letras iria lançar o primeiro livro dela no final do ano.
Szymborska foi ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996, tem em média 250 poesias publicadas e eu nunca tinha escutado este nome complicado… só fui saber da sua existência depois da visita do meu cliente (vergonha ao cubo) e depois de ler algumas das 44 poesias do seu livro “poemas” não consigo entender o motivo da demora para ter um livro dela aqui no Brasil.
A poeta faleceu ontem, aos 88 anos, na sua casa em Cracóvia.

Um dos poemas do livro poemas:

Museu

Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas o amor recíproco se foi
há pelo menos trezentos anos.

Há um leque — onde os rubores?
Há espadas — onde a ira?
E o alaúde nem ressoa na hora sombria.

Por falta de eternidade
juntaram dez mil velharias.
Um bedel bolorento tira um doce cochilo,
o bigode pendido sobre a vitrine.

Metais, argila, pluma de pássaro
triunfam silenciosos no tempo.
Só dá risadinhas a presilha da jovem risonha do Egito.

A coroa sobreviveu à cabeça.
A mão perdeu para a luva.
A bota direita derrotou a perna.

Quanto a mim, vou vivendo, acreditem.
Minha competição com o vestido continua.
E que teimosia a dele!
E como ele adoraria sobreviver!

trabalhamos para…

“A maioria de nós gasta mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar, mas até que ponto nossas vidas são definidas pelo trabalho que fazemos? Ele reflete nossas paixões e personalisdades ou é apenas meio para um fim, o demônio necessário para pagar o final de semana? Impiedosamente entralaçado às atividades humanas essenciais, ainda que pouco explorado pela literatura contemporânea.”

do prefácio da última edição da revista Granta em português